HISTÓRICO

 

LAGOA DO PILAR

A "LAGOA DO ARAÇÁ" era conhecida como “Lagoa do Pilar” e pertencia às terras da antiga região da "Barreta" (que originou o atual Bairro da Imbiribeira). O local onde se encontra a Lagoa aparece na cartografia holandesa, no século XVII, como:

“(...) área de vegetação arbórea, provavelmente densa, entre os rios Jordão e Tejipió, antes da confluência deste com o Rio Jiquiá (...)”.

A “LAGOA DO ARAÇÁ” constituiria um dos inúmeros baixios ribeirinho - iguais a tantos outros da planície recifense -, sem forma definida. À mercê dos fluxos das marés, drenando para o Rio Tejipió as águas nascentes que para si convergiam.

Sem dúvida um local privilegiado, que assim, intocado, atravessou os séculos XVIII e XIX sem sinais de avanço da urbanização sobre os seus espaços.

Uma planta da Cidade, de 1876, assinala a presença de alguns assentamentos (provavelmente “viveiros de peixes”) e algumas edificações na bifurcação da “Estrada do Sul”, a leste.

Em 1924, a Estrada do Sul passa a chamar-se “Estrada da Imbiribeira”, tendo surgido perpendicular a ela uma pequena nucleação, denominada “Mira Mar”, com umas 25 casas, a menos de 500m da Ponte Motocolombó, e mais uma dezena de casas, dispersas, aproximando-se do local onde hoje se encontra a Avenida Pinheiros (provavelmente habitações de baixa renda).

"A pesca nos viveiros - 90% das pessoas que comodamente se aventuraram de automóvel às pescarias na Imbiribeira e Estrada dos Remédios voltou de mãos abanando. Isso repete-se todos os anos. Os viveiros não têm peixe bastante para um terço da população. Nunca há pescaria completa. As cheias, nos anos anteriores, extravasou os viveiros, perdendo-se enorme quantidade de peixe. Este ano, não houve cheia, mas a maré subiu, o que se atribui à lua, e lá se foi grande parte do peixe. Talvez seja jogo dos proprietários de viveiros fazendo o jogo do mercado negro. É um espetáculo degradante para quantos aguardam nos viveiros à procura de peixe. Implora-se 1 quilo de peixe, roga-se uma curimã e a resposta é sempre a mesma: não há. (...)"

Diário de Pernambuco - Sexta-feira, 26 de março de 1948

 

LAGOA DOS BOTOS 

Em 1955, a prefeitura delineou o “Loteamento Nossa Senhora do Pilar”, que configurou o traçado das atuais ruas da região da "LAGOA DO ARAÇÁ".

Ao que tudo indica, a ocupação da área, entre a Estrada da Imbiribeira e a margem direita do Rio Tejipió, só viria a consumar-se na década de 1960. Sobretudo após os estímulos trazidos à construção civil pelo BNH.

A Lagoa do Pilar teria sido aprofundada através da sua escavação, para a execução das obras de dragagem e aterro da região, procedendo à execução dos loteamentos de classe média que ali se instalariam.

Naquela época, os moradores  da região a conheciam como "Lagoa dos Botos", porque era lá que os botos vinham procriar. Alguns garotos também aproveitavam para tomar banho em suas águas salobras (ainda não poluídas). E muitos pescadores e pegadores de caranguejos profissionais vinham pescar em suas margens ou em botes. Em seus alagados, ainda existiam alguns viveiros de peixe e Pitu (camarão escuro, de água doce).

O que parece certo é que até a década de 1960 as características primitivas do lugar se conservaram e, mesmo possuindo uma forma irregular, deveria ser ampla e profunda

Em 1979 os espaços adjacentes da Lagoa já eram ocupados pelos loteamentos “Nossa Senhora do Pilar”, “Jardim Europa” e “Conjunto Residencial INOCOOP – Guararapes”, assumindo aquela área a sua configuração atual.

 

LAGOA DO ARAÇÁ  

No início dos anos 1980, a população local, liderada pela "Dona Lourdinha Tenório", movimentou-se contra o aterro (para fins imobiliários) da Lagoa e toda a área foi urbanizada em 1994. 

"(...) Antes de 1994, a Lagoa do Araçá era uma espécie de depósito de lixo, e o seu contorno uma das áreas marginais do Recife, refúgio de desocupados e até de pessoas que se dedicavam ao desmonte de carros roubados. Hoje, a população que a circunda é a sua maior defensora e faz cobranças consistentes ao poder público para melhorar sempre o local. O agora chamado Parque Ecológico Lagoa do Araçá, de 14 hectares , é opção de lazer para muitos habitantes da cidade. (...)"

Jornal do Commercio - 11 de maio de 2001  

Graças a essa mobilização popular, a "LAGOA DO ARAÇÁ" é hoje a única lagoa natural existente na cidade do Recife e, segundo o historiador Eduardo Dantas, deverá tornar-se “bairro” no próximo rezoneamento municipal do Recife. 

 

ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA LAGOA DO ARAÇÁ 

O grupo de moradores que evitaram o aterramento da última lagoa do Recife organizou-se sob a forma da “ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA LAGOA DO ARAÇÁ” em 1989, mantendo-se bastante atuante até os dias de hoje. 

Além de promover campanhas e eventos de conscientização pública para a importância da preservação da “LAGOA DO ARAÇÁ” (como o “Dia da Água” e o “Aniversário da Lagoa do Araçá”), a A.M.L.A. faz reuniões periódicas com a população local, para discutir suas necessidades e encaminhar as reivindicações para os órgãos públicos competentes, conseguindo constantes melhorais. 

O endereço da sua Comunidade no Orkut é www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5324486

 

PARQUE ECOLÓGICO LAGOA DO ARAÇÁ 

Nasceu assim, em 1994, o "PARQUE ECOLÓGICO LAGOA DO ARAÇÁ", como uma das poucas infra-estruturas de laser em contato com a natureza disponíveis na cidade do Recife. 

"Há 11 anos a Lagoa do Araçá era apenas um poço de lama e lixo. A mudança foi radical, ganhamos uma área de lazer maravilhosa" - Alzenir Cordeiro, comerciante e moradora da Imbiribeira

Jornal do Commercio - 15 de setembro de 1999

Para quem ainda não conhece o "PARQUE ECOLÓGICO LAGOA DO ARAÇÁ", sua principal entrada se dá pela Rua Missionário Joel Carlson, na Imbiribeira, transversal da Av. Marechal Mascarenhas de Moraes. Como ponto de referência, fazem esquina as empresas BRASINOX-IMOSA e a MM PNEUS. No sentido Centro/Aeroporto, entrar à direita no 5º semáforo após a Ponte Motocolombó (Afogados). No sentido Aeroporto/Centro, entrar à esquerda no 2° semáforo após a UNIVERSO. 

*Fontes: “Cadastro das Unidades de Conservação da Cidade do Recife – PCR” (Dezembro de 1996), sites da  FUNDAJ (www.fundaj.org.br), Pernanbuco de A/Z (www.pe-az.com.br/), site www.lagoadoaraca.com.br e "O CONSUMO DO ESPAÇO E O ESPAÇO DO CONSUMO EM EIXOS DE CIRCULAÇÃO INTERURBANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE" - Mariana Zerbone Alves de Albuquerque e Edvania Torres A. Gomes - Departamento de Ciencias Geograficas da UFPE